Sentado no chão ao lado de sua cabana no alto da montanha, observando a lua, o velho pensou:
— Vou voltar para a aldeia.
Apagou a fogueira, se esticou e absorveu mais uma vez a vista da planície vazia iluminada pelo luar. Então bocejou, foi para dentro de seu abrigo e deitou-se no colchão de palha. Fechou os olhos, escutou o pio de uma coruja e adormeceu.
Despertou com a claridade dos raios de sol que entravam pela janela aberta. Levantou para banhar-se na fonte a alguns passos de sua morada. Mais tarde, ao beber um caneco de leite de cabra, tentou calcular quantos anos se passaram desde que se retirou para a solidão.
Vestiu suas sandálias, pegou seu cajado, soltou os animais, deu uma última olhada à volta, suspirou e seguiu para a trilha que descia em direção ao povoado. Esse caminho de pedra estava inalterado, apesar do tempo passado, o que tornou tranquila a transposição.
Chegou ao pé da montanha e seguiu para a ponte que atravessava o rio, levando à vila. Já do outro lado, avistou algumas casas onde antes não existia nada. Havia mais gente nas ruas, muitos comerciantes e carroças demais. Percebeu que algumas pessoas se assustavam com ele.
— É a minha aparência — pensou — mas isso é para mais tarde.
Já perto do centro viu a igrejinha que agora tinha uma torre com um sino. A casa estava somente a alguns minutos de caminhada. Ao chegar, abriu a portinhola no muro baixo e andou pelo caminho cercado de canteiros até a porta na varanda. Alí, os vasos de flores estavam tão bem cuidados quanto sempre estiveram. Ouviu um latido, virou para trás e viu o cachorro, que parecia sorrir para ele.
Parou por um momento, endireitou-se e bateu na porta. Ouviu então passos que pelo som sabia de quem eram. Sentiu apertar o peito. A porta se abriu. Os olhos se olharam.
— Eu voltei.




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